Entrevista publicada na coluna de Gestão Empresaria, do consultor Fabiano de Cristo, no jornal Folha de Boa Vista, no último dia 6 de maio.

Cesar em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer o espaço aberto na sua agenda para essa entrevista. Para começar, eu gostaria de saber qual a diferença entre Rede Social e Mídia Social.

Fabiano, eu é que agradeço o convite e respondo a sua pergunta com bastante objetividade: uma rede social é um grupo de pessoas que têm interesses em comum, compartilham ideias e informações. Uma rede social, portanto, pode acontecer fora do mundo virtual também. Na internet, esses grupos podem surgir no Orkut, Facebook, no MSN ou até mesmo por e-mail, em uma conversa com diferentes contatos. Já uma mídia social é justamente o meio, o espaço, a estrutura, que esses grupos com interesses em comum usam para se comunicar. As mídias sociais também necessitam de investimentos, funcionando muitas vezes como veículos publicitários. Então, por exemplo, o Facebook é uma mídia social que permite a formação de uma rede social, uma rede de relacionamentos.

Dentro deste contexto quais são as principais mudanças causadas pelas redes sociais no ambiente empresarial?

As redes sociais são ferramentas de interação bastante significativas quando bem usadas pelas corporações, pois permitem um relacionamento direto entre a empresa e o mercado, sem nenhum atravessador na comunicação. A comunicação ficou mais ágil e transparente. A diminuição de custos de comunicação e relacionamento é outra uma mudança significativa experimentada pelas corporações.

Qual a importância das redes sociais para os negócios?

Num mundo onde a qualidade de produtos e serviços é obrigação e não mais diferencial, é preciso que as empresas conheçam melhor ainda quem é o seu consumidor, quais os seus anseios, o que ele espera da sua marca e, principalmente, que a sua empresa proporcione uma experiência diferente de relacionamento, valorizando cada cliente como se fosse, realmente, único. E isso, esse relacionamento direto somado ao conhecimento das vontades e desejos do seu público é uma das maiores virtudes do mundo virtual. Entretanto, é preciso ter cuidado para manter a privacidade dos usuários, não coletando dados individuais sobre nenhum usuário, mas sim observando padrões ao analisar uma grande quantidade de internautas.

 Como as pequenas e médias empresas devem se preparar para investir nas redes sociais?

As pequenas e médias empresas levam a vantagem de ter mais agilidade nas tomadas de decisões e de promoverem mudanças filosóficas com menos traumas. Obviamente o investimento na mídia social, através da participação nas redes sociais, deve ser conduzido com profissionalismo e com o maior embasamento possível. A própria internet é farta em literatura e ferramentas de aferição de resultados, pois de nada adianta o relacionamento com o cliente se dele, não se tirar o melhor proveito do retorno obtido.

As mídias sociais mudaram a forma com a qual interagimos. Muitas empresas têm oferecido recompensas virtuais a partir de experiências reais, utilizando, por exemplo, o Foursquare. Essa seria uma forma de “humanizar” as redes sociais e aproximar as pessoas?

Nos dias de hoje a interatividade entre a empresa e seu target é fundamental. E isso pode ser feito com a empresa participando das comunidades onde o seu cliente se encontra, tirando as dúvidas que ele tenha sobre seu produto ou serviço, fazendo promoções, sorteando brindes e, principalmente oferecendo conteúdo relevante, mostrando que ele é realmente importante para sua empresa. A recompensa do Foursquare não é só virtual. Existem as recompensas reais, como descontos ou brindes a um cliente fiel. E é isso que torna tudo fascinante: a empresa falar diretamente com o seu cliente, reconhecê-lo também como relevante à sua marca e fundamental ao seu negócio. É sim uma forma de humanização no frio mundo dos bits e bytes.

Toda empresa precisa ter um perfil no facebook ou uma conta no Twitter?

Existem centenas de empresas bem posicionadas no mercado sem uma participação efetiva nas redes sociais. Entretanto, em médio e longo prazo, o próprio mercado tornará obrigatória esta participação, por menor que seja. Mesmo que uma empresa não lide diretamente com o consumidor final, com a grande massa, ela, obviamente, tem o seu público próprio e precisa se relacionar com ele. As formas de relacionamento mudam com as novas tecnologias. É assim desde as trombetas de Júlio Cesar ou dos sinais de fumaça que anunciavam as conquistas. Ter um perfil no Facebook, uma conta no Twitter ou em qualquer outra rede social vai ser tão natural quanto ter um telefone na empresa.

Como uma empresa deve escolher a melhor ferramenta (Twitter, Facebook, Google+ etc) na hora de divulgar seus produtos seus produtos ou serviços nas redes sociais?

Para cada perfil de negócio existe uma rede social mais apropriada. Twitter e Google+ são excelente ferramenta de divulgação de notícias e novidades em tempo real. O Facebook é uma grande ferramenta para fortalecimento de marca através das páginas empresarias e dos aplicativos que podem ser desenvolvidos exclusivamente para cada empresa, através de profissionais especializados. O cardápio é grande e é preciso que se deguste um pouco de cada, até encontrar a rede mais adequada aos seus objetivos empresariais.

Até 2016 todas as emissoras do país terão que transmitir o sinal em alta definição. Como você ver o futuro da publicidade e seus profissionais na era da convergência dos meios?

O sinal em alta definição não obrigará uma mudança radical na publicidade. O que provocará esta mudança será a interatividade através da TV e a possibilidade do telespectador escolher o melhor horário para assistir os programas que gosta. Assim, o conceito de novela das oito vai terminar, pois a novela das oito vai passar na hora em quem o telespectador quiser assistir na sua TV. Vamos ter que repensar o formato da propaganda televisiva, hoje em brakes comerciais mais ou menos valorizados de acordo com os horários de maior ou menor audiência. Certamente o merchandising dentro dos programas ficará mais forte.

Qual deve ser o futuro das redes sociais? Você acredita no fim de alguma rede social e no surgimento de outras?

O mundo virtual é igual ao mundo real: sobrevive apenas aquilo que for relevante para o mercado. Muitas redes sociais vão deixar de existir e outras tantas vão surgir. As mais relevantes terão vida mais longa. Mas o mundo está mudando tão rápido que a única certeza que temos é a incerteza do que virá pela frente.

Nos últimos anos vimos a ascensão da web 2.0 e das redes sociais. O que você espera para os próximos anos?

A Web 2.0 foi a ferramenta responsável pelo surgimento das redes sociais, pois estabeleceu os padrões de interatividade vigentes. Acredito que a convergência da informática, da informação e da comunicação para equipamentos portáteis e cada vez mais poderosos é uma tendência irreversível. A mobilidade continuará sendo a pauta do dia por muitos anos, com os dados trafegando por infovias cada vez mais largas, mesmo que nós continuemos achando a banda de dados sempre menor do que a nossa necessidade.

Qual a sua principal mensagem para os empresários de Boa Vista?

Boa Vista é uma cidade que tem tudo para despontar no cenário digital do Brasil por ser jovem, de gente jovem e com um planejamento urbano que permite a construção de infovias a partir de um ponto central, como a Praça do Centro Cívico, por exemplo. Poucas cidades brasileiras têm essa característica que ajuda, tanto na instalação, quanto na economicidade da infraestrutura necessária. Mas o principal que encontrei em Boa Vista, nas duas vezes em que aqui estive, foi ver o brilho nos olhos, o orgulho no peito e uma vontade danada que as pessoas têm de empreender. Esse é o grande diferencial de Boa Vista.