Todo ano o Raymundo Mario Sobral, auto proclamado Comendador da Ordem do Macaco Torrado, me pede uma mini crônica para edição do Círio da Revista Chá de Cadeira, distribuída gratuitamente em consultórios médicos e afins. E, neste ano, a crônica tinha que tentar responder a difícil questão “Na sua opinião, o que é o Círio?”.
Missão dada, missão cumprida, nas linhas a seguir:

…….

Outro dia o Comendador perguntou o que era o Círio, na minha opinião. Fiquei matutando e não consegui uma resposta convincente. Resolvi então perguntar aos mais diretamente envolvidos. Quem sabe eles não me ajudariam a elucidar esse mistério que, mesmo depois de duas décadas e uns trocados, ainda deixa a gente sem resposta, né?

Me piquei então pras bandas do Ver-o-Peso e perguntei pro senhor Pato o que era o Círio pra ele. Não deu nem tempo de escutar sequer um mísero quá. O bicho saiu de lá chispado.

Corri então pra dona Maniva e fiz a mesma pergunta. Devagar como sempre, senti que ela ia levar uns sete dias cozinhando a resposta.

Meio sem rumo, ainda tentei falar com o senhor Jambu, mas, coitado, deve ser Parkinson: se tremeu todinho e foi logo murchando.

Sem tempo a perder, decidir ter um tête-à-tête direto com a homenageada: entrei na Basílica e, de joelhos, supliquei a resposta. Também nada escutei. E nem foi preciso. A resposta sempre está lá, naquele olhar terno, naquele olhar de mãe.

Anúncios