– Amor, amanhã é sábado. Que tal a gente preparar aquele churrasquinho bacana?
– Melhor não, né! Não viu na TV que a calabresa foi entupida com carne de cabeça de porco e que a picanha estava fora da validade, disfarçada com uns trecos químicos?
– Caramba! Então que tal um hamburgão ou umas almôndegas deliciosas?
– Também não vai dar. Só se você tiver muito a fim de comer papelão. Estavam moendo tudo junto com a carne também.
– O jeito vai ser ir de peixe, né?
– Que peixe, mané? Tu não leste também que lá na Bahia as pessoas comeram peixe e fizeram xixi pretinho. Diz que já morreram bem uns vinte!
– É, vamos ter que morrer no frango então!
– Só se tu quiseres morrer mesmo ou ficar falando fino e com os peitos maiores que os meus. Tá tudo cheio de hormônio!
– Saladinha então…
– Então nem pensar também. É tanto agrotóxico que melhor nem triscar.
– Não me diz que vai ser macarronada de novo!
– Mas não vai mesmo! Tu não leste no Facebook que glúten faz a gente ficar com barriga d’água?
– Salada de frutas então, tudo bem?
– Tudo bem, tirando que estão mexendo na genética delas. A comadre falou que tem bananeira por aí que está parindo até maracujá.
– Cacete! Já vi que vou encher o bucho só de água.
– Daqueles garrafões adulterados que estão sendo enchidos com água da torneira?
– Porra! Vamos viver de que? De luz?
– Esquece! Aumentou a bandeira tarifaria de novo!
(Cesar Paes Barreto – Março, 2017)

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