Depois de um dia extenuante, repleto de decisões importantíssimas para o futuro da nação e, principalmente, para o seu próprio destino, Messias merecia relaxar como ha muito tempo não fazia.

Com a garganta seca, foi na adega da cobertura, pegou com cuidado uma garrafa de vinho Miolo de boa safra.

Abriu como se fosse um Romanée-Conti e, antes de servir na cristalina taça que veio por engano na mudança do palácio que um dia ocupou, despejou o precioso líquido no tal do decanter, presente do rei do Catar, mas que a sua patroa, coitada, catava da estante de vez em quando, para usar como jarro para as begônias compradas na feirinha de São Bernardo.

Também, pudera, ninguém tinha explicado para que servia aquela peça tão bonita e delicada.

Enquanto o vinho respirava ganhando novos aromas, Messias cortou a ponta do Havana, regalo do amigo comandante fiel, que chega, religiosamente, todo mês pelo malote que vem da Ilha.

Mas, antes de apertar no botão do isqueiro maçarico cravejado de rubis e esmeraldas que, coincidentemente, veio na mesma mudança enganada, o toque do telefone celular de um segurança próximo começa a repimbocar insistentemente, contrariando a habitual tranquilidade do Messias.

– Atende logo essa merda, caralho! Puta que pariu, corno filho puta!

Desconfiado, o segurança chega ao lado do chefe e, repassando o aparelho, adverte:

– Olha aí, chefia: uma doida que não fala lé com cré, tá dizendo que é a presidenta e que quer falar com o senhor! Se fosse a presidenta ia bem ligar pro meu número? Tu é doido, moleque!?

Assustado e intrigado, Messias arranca o aparelho das mãos do segurança com muita força, como se dez dedos tivesse e a partir daí então, torna-se notório, em rede nacional o diálogo republicano:

Ela: Seguinte, eu tô mandando o “Bessias” junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!

Ele: “Uhum”. Tá bom, tá bom.

Ela: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.

Ele: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.

Ela: Tá?!

Ele: Tá bom.

Ela: Tchau.

Ela: Tchau, querida.

Foi só ela desligar, pra ele escutar um clique esquisito na linha, entender o que aconteceu e gritar tão alto que deu pra ser ouvido até em Curitiba:

-Puta que pariu!! Fudeu-se!

E assim, o caminho de Messias e Bessias se cruzaram contradizendo gramática, porque, dessa vez, o B veio antes do M.

Um viva ao Bessias!!

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