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Blog do CesarPB

Delírios Criativos, Mídia Digital e outras bobagens.

mês

maio 2015

Uma pedra no meio do caminho

Sexta-feira passada, decorridos cinquenta anos, sete meses e dois dias do tempo regulamentar do meu jogo da vida, pela primeira vez eu soube o que é sofrer uma cirurgia. Aliás, naquele dia, não perdi apenas a virgindade cirúrgica. Foi a minha primeira vez também a tomar soro, dormir com anestesia geral e acordar em uma cama de hospital.
Sim, finalmente o chef Cesar conheceu o significado da tão propalada comida de hospital.
E tudo isso porque tinha uma pedra no caminho. Uma pedra na vesícula, atrapalhando o caminho da bile, tal e qual trabalhadores em greve atravancam o nosso vai e vem todo santo dia.
Minha vesícula grevou e não voltou a trabalhar nem por decreto.
E, como não voltou a trabalhar, teve que ser demitida, por justa causa, para que não contaminasse com o mau exemplo os colegas de labuta, que trabalham nos órgãos vizinhos. Resumindo, o mal tinha que ser cortado pela raiz, imediatamente, sem direito a recurso.
Mas, tudo começou um fim de semana antes, com uma orgia gastronômica de fazer inveja aos bacanais romanos. Vamos lá:
Na quinta, uma deliciosa chapa de mariscos grelhados. Sim, todos os que você imagina estavam lá, lindos e crocantes: da nobre lagosta ao plebeu mexilhão.
Na sexta, um amanteigado risoto de aspargos frescos com camarões grelhados no azeite.
No sábado, churrascão daqueles que se preza, muito bem ornado de colesterol e triglicerídeos pra não fazer feio em nenhum exame laboratorial.
E, finalmente, pra fechar com chave de ouro o glorioso festival adiposo, no almoço de domingo, o chef Cesar preparou a improvável e inenarrável combinação de polvo grelhado, bacalhau na chapa e linguiça toscana recheada com queijo provolone, embebidos em molho de curry com mega-power pimenta verde no leite de coco.
Gostou ou já deu enjoo só de ler?
Tá bom: vai, pega um Dramin e um Luftal aí que eu espero antes de continuar.
Obviamente que depois de tudo isso a coitada da vesícula, tão maltratada pelos meus desejos de gordo, iria pedir pira paz não quero mais, no mais alto e bom som que ela pudesse.
E, na madrugada de domingo pra segunda, deu-se a rebordorsa: vesícula, fígado, estômago, pâncreas e intestinos, unidos, bradavam que jamais seriam vencidos.
Foi nessa hora que soube o que o grande Golias sentiu ao ser derrubado pela pedrinha do pequeno David. Uma pedrinha de pouco mais de um centímetro de diâmetro nocauteu, sem dó nem piedade, mais de noventa quilos de fofura acumulada, com tanta facilidade, que até a batizei de Chris Weidman.
Um pouco antes de cair de dor, delirando, até pensei ter escutado o Bruce Buffer gritar “It’s tiiiiimeeeee!!!!!”.
Se ouvi ou não de verdade, não sei. Mas que a hora era chegada, era.
E lá fui eu, rumo ao desconhecido, sabendo que, aquando abrisse os olhos depois do delicioso nocaute anestésico, teria uma vida inteiramente nova pela frente.
Adeus Claude Troisgros e seu magret de pato com foie gras.
Adeus Chuck Huges e sua costela na crosta sal grosso.
Bem-vinda Bela Gil e seu churrasquinho de melancia.
Não sei não, mas acho que vou sentir saudades da comida do hospital.

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Dom Zico: da pegadinha ao jantar!

Sobre o Dom Zico, capaz do Ney Messias Jr. e o Gaspar Rocha Rocha lembrarem dessa. Nos idos de 1993 ou 1994, fui escalado pelo Walter Jr Carmo a representá-lo na inauguração da Rádio Nazaré (ou da antena da rádio, sei lá). Walter era Coordenador de Comunicação Social da PMB, Ney o coordenador adjunto e eu Diretor do Núcleo de Propaganda. Não sei se foi pegadinha de algum colega (né Gaspar!?) ou desatenção minha, mas, o fato é que cheguei lá na residencia do Arcebispo, na época, na BR, em frente à entrada do Lago Azul, pontualmente às 18h00. Lugar mais vazio do mundo. Ninguém lá! Me levaram então até Dom Zico que me recebeu com um sorriso esplendoroso no rosto, dizendo que o coquetel estava marcado para as 20h00, mas, já que eu estava lá, era seu convidado para jantar, antes do coquetel. Bom, convite de Arcebispo é algo que não se pode negar. Aceitei, esperando encontrar uma mesa farta e ricamente ornada. Dei com os burros n’água e, naquele momento, passei a admirar ainda mais aquele homem simples que emanava bondade em seu sorriso: em uma pequena mesa de madeira, quadrada, numa sala simples, Dom Zico dividiu comigo o seu jantar: um mamão, um copo de leite e algumas torradas. E dividiu muitas histórias também. Conversamos, eu e ele, durante essas duas horas, como se fossemos velhos conhecidos. Naquela noite, dormi feliz! Hoje, tenho absoluta certeza, será a vez dele.

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