Quem se escandaliza com a novela é porque nunca leu Aluísio Azevedo, Shakespeare e outros clássicos da literatura nacional e universal baseados em traições, fratricídios, homosexualidade, entre outras coisinhas pouco amenas. Para quem se escandaliza, existe a opção de mudar de canal ou de desligar a televisão, né? Aí, vão poder assistir – e adorar – Game of Thrones, que tem tudo isso, em dobro, mas, como se passa na idade média e não tem a ver com a nossa realidade, não choca a nossa vidinha mais ou menos. Ora bolas: isso só prova que traição, fratricídio e homosexualidade existem desde que o mundo é mundo. Desde que Caim matou Abel. Desde que o imperador Adriano (o romano e não o carioca) dividia seu leito com o jovem Antínoo, para quem, aliás, ergueu três templos – Bitínia, Mantineia e Atenas – além de uma cidade inteira, Antinoópolis. Babilônia, como se vê, já existe, desde os tempos… da Babilônia. Sim, a vida imita a arte e arte imita a vida. Mas vida é vida e arte é arte! Não faço aqui um manifesto em favor do fratricídio, do assassinato, do aborto e nem do homosexualismo. Me manifesto, sim, a favor da liberdade criativa de escritores e romancistas. Me manifesto, sim, em favor do livre arbítrio, onde cada um pode decidir o que quer e o que não quer assistir na TV, no cinema, no teatro ou ler nos livros. Cada um é livre pra viver os amores que quer viver. Só acho que mundo é capaz de sobreviver a guerras, pestes e até a queda de asteróides. Mas morre um pouquinho sem boas histórias para serem contadas.

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