Lembram de Cocoon, o filme, caros leitores? Exatamente: aquele filme onde haviam misteriosas pedras no fundo de uma piscina e os velhinhos de um asilo próximo, que banhavam-se naquelas águas, rejuvenesciam, curavam os males da idade e a vida virava uma festa?
Pois então: o WhatsApp é o novo Cocoon. Pelo menos para a turma do Convênio de 1981 do NPI, da qual este humilde escriba tem a honra de fazer parte, está sendo sim.
Nas véspera do Natal de 2013, fomos brindados com esse belo presente: amigos que antes estavam invisíveis, foram agrupados na mesma turma outra vez e, agora, reúnem-se 24 horas por dia, sete dias por semana, relembrando histórias que estavam latentes nas nossas memórias e que nos fazem voltar mais de 30 anos no passado, como se o passado fosse ontem.
E não pensem que as reuniões são apenas virtuais. A rapaziada tem desligado os smartphones e caído na vida real: tem o grupo do almoço de sexta, da bicicleta, do samba, do Cortiço, do Quintal da Velha e, principalmente, o grupo da manguaça, que consegue a proeza de reunir todos os nossos subgrupos em torno do mesmo brinde à amizade e à vida. Aliás, vidas! Vidas que seguiram caminhos tão diferentes, mas, ao mesmo tempo tão iguais, talvez por culpa da nossa escola, que era diferente das outras por ser uma escola pública federal em plena época da ditadura militar, mas que educava nos melhores princípios socialistas, sem distinção, colocando lado a lado, pessoas tão diferentes, que só a escola da vida talvez não fosse capaz de reunir.
Hoje, olhando pelo retrovisor da história, parece absurdamente impossível que a mesma escola que obrigava alunos a entoar, enfileirados militarmente, o Hino Nacional todos os dias antes das aulas, fosse a mesma – e única – a promover a utópica igualdade socialista, fornecendo o mesmo uniforme, o mesmo lápis, o mesmo caderno, a mesma merenda e o mesmo transporte gratuito a todos, sem distinção. O governo que caçava comunistas e socialistas nas nossas ruas, colocava em prática, nas suas escolas, a filosofia combatida. Emblematicamente, somos da geração que nasceu em 1964!
Não sou sociólogo, psicólogo e nem cientista político para debater este tema com a profundidade que ele possa merecer, por isso encerro aqui esse parêntesis histórico e volto a focar a crônica no seu objetivo inicial.
Como escrevi alguns parágrafos acima, o tempo parece que não passou neste hiato de 32 anos: os apelidos permanecem os mesmos e as brincadeiras, sempre sadias, também: o Dr. Claudio Humberto é o eterno Boi Doido, a Annete é a Fofura, o Fernando é o Bombom, o Norberto é o Padre, a Silvia é a Santinha, o Pedroca é e sempre será o Pedroca, a Rita é a Miss, a Margareth a Mãe de Miss e o Marcelo só não tem mais o apelido que tinha porque não quer ter, mas, é bem verdade, continua fazendo por merecê-lo – e amigos verdadeiros são aqueles que respeitam a vontade dos amigos sem jamais questioná-las.
Só sei é que, tais e quais os velhinhos serelepes do Cocoon, estamos nos divertindo a beça nesse reencontro com os jovens que um dia fomos e que, certamente, sempre seremos, enquanto houver boas histórias para serem contadas e boas histórias para ainda serem vividas.
E quem não gostar, que vá reclamar na diretoria!

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