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Blog do CesarPB

Delírios Criativos, Mídia Digital e outras bobagens.

mês

maio 2012

Merthiolate, sim! Corrupção, não!

Acabei de ver no Fantástico matéria com o Dr. Dráuzio Varela – aquele que sempre veste camisa azul clara e calça cinza, já reparou? – dizendo que não se deve soprar sobre as feridinhas dos nossos filhos. Coisa que todo pai ou mãe já fez. Imediatamente lembrei de um crônica que escrevi no ano de 2000 e que segue abaixo, como forma de protesto:

Merthiolate, sim! Corrupção, não!

Depois de 36 anos usando Merthiolate nas minhas perebas e arranhões, fiquei chocado ao saber que meus gritos desesperados de dor e os soprinhos da mamãe em cima das feridas, logo depois de passar aquela palhetinha de plástico na carne viva, não serviram pra nada.

Como pode o Ministério da Saúde proibir a fabricação do Merthiolate e do Mercúrio Cromo, assim, de repente, dizendo que não servem pra nada, sem fazer um plebiscito nacional? Como assim, não servem pra nada? Claro que tinha que ter plebiscito sim. São dois produtos que estão na minha, na sua e na casa de todos os brasileiros. Não podem desaparecer assim, de uma hora pra outra, sem pelo menos uma explicação mais plausível. Vamos todos nos sentir desamparados agora. Eu, que tenho filhas pequenas e peraltíssimas, que caem e se ralam a toda hora, já estou vendo os micróbios e as bactérias lá de casa fazendo a maior festa. Cada arranhãozinho sem Merthiolate ou Mercúrio vai ser um farto banquete pra essa minúscula legião de esfomeados que habita sorrateiramente cada milímetro quadrado dos nossos lares.

E quem foi que disse que esses remédios não funcionam?

Ora, quem disse: o mesmo governo que há poucos anos atrás obrigava a gente a ter dentro do carro um kit de primeiros socorros. E dentro deste kit não podiam faltar, justamente, Merthiolate ou Mercúrio Cromo. Senão tivéssemos os vidrinhos dentro do kit e a autoridade te parasse no trânsito, era multa na hora. Lembra disso?

O mais absurdo disso tudo é que, na situação de uma porrada catastrófica com o carro, com pedaço de gente pra tudo quanto é lado, esses remédios para pouco ou nada serviriam mesmo. Mas eram obrigatórios. Já nos pequenos acidentes domésticos, onde eles sempre mostraram sua competência, vem uns burocratas lá de Brasília dizer que não servem pra nada.

Não sei não, mas isso ta me cheirando a jogada eleitoral.

Quer saber porque? É simples, meu caro. Basta ver a cor que a gente ficava quando se lambuzava de Mercúrio Cromo ou de Merthiolate. Você acha que o Serra, Ministro da Saúde e presidenciável de plantão ia deixar isso passar batido. Você acha que ele ia dar de graça essa mídia pra oposição?

Não duvido que, exatamente neste momento, a oposição já esteja colhendo assinaturas para instalar a CPI do Merthiolate, na qual teria todo o meu apoio. E tenho certeza que o seu também, não apenas pelo aspecto político da coisa, mas, sobretudo, profilático.

Vamos todos às ruas! Vamos pintar nossas caras de vermelho Merthiolate e fazer a nossa parte. Todos gritando “Merthiolate, sim! Corrupção, não!”.

Depende de cada um de nós não deixar que os micróbios, inclusive os de Brasília, vençam esta luta justa e dolorida.

A propósito: não estou levando um puto sequer dos fabricantes para iniciar esta campanha.

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Entrevista ao jornal Folha de Boa Vista

Entrevista publicada na coluna de Gestão Empresaria, do consultor Fabiano de Cristo, no jornal Folha de Boa Vista, no último dia 6 de maio.

Cesar em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer o espaço aberto na sua agenda para essa entrevista. Para começar, eu gostaria de saber qual a diferença entre Rede Social e Mídia Social.

Fabiano, eu é que agradeço o convite e respondo a sua pergunta com bastante objetividade: uma rede social é um grupo de pessoas que têm interesses em comum, compartilham ideias e informações. Uma rede social, portanto, pode acontecer fora do mundo virtual também. Na internet, esses grupos podem surgir no Orkut, Facebook, no MSN ou até mesmo por e-mail, em uma conversa com diferentes contatos. Já uma mídia social é justamente o meio, o espaço, a estrutura, que esses grupos com interesses em comum usam para se comunicar. As mídias sociais também necessitam de investimentos, funcionando muitas vezes como veículos publicitários. Então, por exemplo, o Facebook é uma mídia social que permite a formação de uma rede social, uma rede de relacionamentos.

Dentro deste contexto quais são as principais mudanças causadas pelas redes sociais no ambiente empresarial?

As redes sociais são ferramentas de interação bastante significativas quando bem usadas pelas corporações, pois permitem um relacionamento direto entre a empresa e o mercado, sem nenhum atravessador na comunicação. A comunicação ficou mais ágil e transparente. A diminuição de custos de comunicação e relacionamento é outra uma mudança significativa experimentada pelas corporações.

Qual a importância das redes sociais para os negócios?

Num mundo onde a qualidade de produtos e serviços é obrigação e não mais diferencial, é preciso que as empresas conheçam melhor ainda quem é o seu consumidor, quais os seus anseios, o que ele espera da sua marca e, principalmente, que a sua empresa proporcione uma experiência diferente de relacionamento, valorizando cada cliente como se fosse, realmente, único. E isso, esse relacionamento direto somado ao conhecimento das vontades e desejos do seu público é uma das maiores virtudes do mundo virtual. Entretanto, é preciso ter cuidado para manter a privacidade dos usuários, não coletando dados individuais sobre nenhum usuário, mas sim observando padrões ao analisar uma grande quantidade de internautas.

 Como as pequenas e médias empresas devem se preparar para investir nas redes sociais?

As pequenas e médias empresas levam a vantagem de ter mais agilidade nas tomadas de decisões e de promoverem mudanças filosóficas com menos traumas. Obviamente o investimento na mídia social, através da participação nas redes sociais, deve ser conduzido com profissionalismo e com o maior embasamento possível. A própria internet é farta em literatura e ferramentas de aferição de resultados, pois de nada adianta o relacionamento com o cliente se dele, não se tirar o melhor proveito do retorno obtido.

As mídias sociais mudaram a forma com a qual interagimos. Muitas empresas têm oferecido recompensas virtuais a partir de experiências reais, utilizando, por exemplo, o Foursquare. Essa seria uma forma de “humanizar” as redes sociais e aproximar as pessoas?

Nos dias de hoje a interatividade entre a empresa e seu target é fundamental. E isso pode ser feito com a empresa participando das comunidades onde o seu cliente se encontra, tirando as dúvidas que ele tenha sobre seu produto ou serviço, fazendo promoções, sorteando brindes e, principalmente oferecendo conteúdo relevante, mostrando que ele é realmente importante para sua empresa. A recompensa do Foursquare não é só virtual. Existem as recompensas reais, como descontos ou brindes a um cliente fiel. E é isso que torna tudo fascinante: a empresa falar diretamente com o seu cliente, reconhecê-lo também como relevante à sua marca e fundamental ao seu negócio. É sim uma forma de humanização no frio mundo dos bits e bytes.

Toda empresa precisa ter um perfil no facebook ou uma conta no Twitter?

Existem centenas de empresas bem posicionadas no mercado sem uma participação efetiva nas redes sociais. Entretanto, em médio e longo prazo, o próprio mercado tornará obrigatória esta participação, por menor que seja. Mesmo que uma empresa não lide diretamente com o consumidor final, com a grande massa, ela, obviamente, tem o seu público próprio e precisa se relacionar com ele. As formas de relacionamento mudam com as novas tecnologias. É assim desde as trombetas de Júlio Cesar ou dos sinais de fumaça que anunciavam as conquistas. Ter um perfil no Facebook, uma conta no Twitter ou em qualquer outra rede social vai ser tão natural quanto ter um telefone na empresa.

Como uma empresa deve escolher a melhor ferramenta (Twitter, Facebook, Google+ etc) na hora de divulgar seus produtos seus produtos ou serviços nas redes sociais?

Para cada perfil de negócio existe uma rede social mais apropriada. Twitter e Google+ são excelente ferramenta de divulgação de notícias e novidades em tempo real. O Facebook é uma grande ferramenta para fortalecimento de marca através das páginas empresarias e dos aplicativos que podem ser desenvolvidos exclusivamente para cada empresa, através de profissionais especializados. O cardápio é grande e é preciso que se deguste um pouco de cada, até encontrar a rede mais adequada aos seus objetivos empresariais.

Até 2016 todas as emissoras do país terão que transmitir o sinal em alta definição. Como você ver o futuro da publicidade e seus profissionais na era da convergência dos meios?

O sinal em alta definição não obrigará uma mudança radical na publicidade. O que provocará esta mudança será a interatividade através da TV e a possibilidade do telespectador escolher o melhor horário para assistir os programas que gosta. Assim, o conceito de novela das oito vai terminar, pois a novela das oito vai passar na hora em quem o telespectador quiser assistir na sua TV. Vamos ter que repensar o formato da propaganda televisiva, hoje em brakes comerciais mais ou menos valorizados de acordo com os horários de maior ou menor audiência. Certamente o merchandising dentro dos programas ficará mais forte.

Qual deve ser o futuro das redes sociais? Você acredita no fim de alguma rede social e no surgimento de outras?

O mundo virtual é igual ao mundo real: sobrevive apenas aquilo que for relevante para o mercado. Muitas redes sociais vão deixar de existir e outras tantas vão surgir. As mais relevantes terão vida mais longa. Mas o mundo está mudando tão rápido que a única certeza que temos é a incerteza do que virá pela frente.

Nos últimos anos vimos a ascensão da web 2.0 e das redes sociais. O que você espera para os próximos anos?

A Web 2.0 foi a ferramenta responsável pelo surgimento das redes sociais, pois estabeleceu os padrões de interatividade vigentes. Acredito que a convergência da informática, da informação e da comunicação para equipamentos portáteis e cada vez mais poderosos é uma tendência irreversível. A mobilidade continuará sendo a pauta do dia por muitos anos, com os dados trafegando por infovias cada vez mais largas, mesmo que nós continuemos achando a banda de dados sempre menor do que a nossa necessidade.

Qual a sua principal mensagem para os empresários de Boa Vista?

Boa Vista é uma cidade que tem tudo para despontar no cenário digital do Brasil por ser jovem, de gente jovem e com um planejamento urbano que permite a construção de infovias a partir de um ponto central, como a Praça do Centro Cívico, por exemplo. Poucas cidades brasileiras têm essa característica que ajuda, tanto na instalação, quanto na economicidade da infraestrutura necessária. Mas o principal que encontrei em Boa Vista, nas duas vezes em que aqui estive, foi ver o brilho nos olhos, o orgulho no peito e uma vontade danada que as pessoas têm de empreender. Esse é o grande diferencial de Boa Vista.

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