Voltei aos bancos de escola. Nos próximos 17 meses serei um aplicado aluno de pós-graduação em artes visuais, com direito a carteirinha de estudante e tudo. Agora, no cinema com as filhas, as meias-entradas delas não me farão mais inveja. Difícil vai ser fazer a mocinha da bilheteria acreditar que este senhor de barba grisalha e careca traiçoeira merece, de fato e de direito, tal regalia estudantil.

Hoje, antes da aula inaugural do curso, tive que escutar gracinhas até da minha mulher perguntando se eu não iria levar lancheira pra hora do recreio ou uma maçãzinha pra tia da escola. Tudo bem, faz parte, né?

Pior vai ser quando os velhos amigos chamarem pra uma rodada de gelada no sabadão e eu, gentilmente, declinar o convite por estar em caloroso debate com os novos colegas de classe sobre a importância para o cenário artístico brasileiro dos anos 70 das Inserções em circuitos ideológicos de Cildo Meireles, que colocou o objeto de arte atuando no universo industrial e não mais o objeto industrial no lugar da arte, com a pretensão de fazer o caminho inverso dos readymades.

Entenderam? Nem eu, meus amigos. Ainda tô muito longe de ser um Jaime Bibas, mas um dia eu chego lá. Só peguei isso aí do enunciado de uma questão da prova de um curso similar, para vocês verem onde é que eu fui amarrar a minha carrocinha e, obviamente, para tentar impressionar vocês, posando de bacana.

Mas o que quase me fez desistir de tudo foi que, quando pensei em fazer essa pós, lembrei de pintura, escultura, cinema, fotografia… jamais imaginei que ia ter que estudar e desenvolver projetos sobre assuntos que, nos meus tempos de escola, eram de interesse apenas daqueles coleguinhas mais esquisitinhos. Sim, senhoras e senhores: fui fuçar o conteúdo programático do curso e dei de cara com quatro letrinhas que gelaram a minha alma: m-o-d-a!

Caraca! Logo eu, que não sei a diferença de um tafetá pra um musseline, pode? Tomara que meus velhos amigos das cervejinhas de sábado não estejam lendo essa crônica, senão vou ficar mal falado no boteco com a mais absoluta certeza.

Mas essa coisa mimosa de moda é só uma mera purpurina passageira na grade curricular e o curso é bem completo, abordando a evolução das artes visuais desde os fins do século XIX até hoje. Quer dizer: assim como vai ter um momento Clodovil, vão ter muitos momentos em que teremos que mostrar o Picasso que habita em nós, pra fazer o merecido contaponto.

De modos que é isso: enquanto os meus colegas de escola sonham com o cada vez mais próximo dia de pendurar as chuteiras, eu estou novamente entrando em campo, pintando e, putz… bordando.

Anúncios